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28 novembro 2013

Vai... e não volta mais.

"Este é o maior fracasso da democracia portuguesa"
por Clara Ferreira Alves
Eis parte do enigma:
Mário Soares, num dos momentos de lucidez que ainda vai tendo, veio chamar a atenção do Governo, na última semana, para a voz da rua.
A lucidez, uma das suas maiores qualidades durante uma longa carreira politica.
A lucidez que lhe permitiu escapar à PIDE e passar um bom par de anos, num exílio dourado, em hotéis de luxo de Paris.
A lucidez que lhe permitiu conduzir da forma "brilhante" que se viu o processo de descolonização.
A lucidez que lhe permitiu conseguir que os Estados Unidos financiassem o PS durante os primeiros anos da Democracia.
A lucidez que o fez meter o socialismo na gaveta durante a sua experiência governativa.
A lucidez que lhe permitiu tratar da forma despudorada amigos como Jaime Serra, Salgado Zenha, Manuel Alegre e tantos outros.
A lucidez que lhe permitiu governar sem ler os "dossiers".
A lucidez que lhe permitiu não voltar a ser primeiro-ministro depois de tão fantástico desempenho no cargo.
A lucidez que lhe permitiu pôr-se a jeito para ser agredido na Marinha Grande e, dessa forma, vitimizar-se aos olhos da opinião pública e vencer as eleições presidenciais.
A lucidez que lhe permitiu, após a vitória nessas eleições, fundar um grupo empresarial, a Emaudio, com "testas de ferro" no comando e um conjunto de negócios obscuros que envolveram grandes magnatas internacionais.
A lucidez que lhe permitiu utilizar a Emaudio para financiar a sua segunda
campanha presidencial.
A lucidez que lhe permitiu nomear para Governador de Macau Carlos Melancia, um dos homens da Emaudio.
A lucidez que lhe permitiu passar incólume ao caso Emaudio e ao caso Aeroporto de Macau e, ao mesmo tempo, dar os primeiros passos para uma Fundação na sua fase pós-presidencial.
A lucidez que lhe permitiu ler o livro de Rui Mateus, "Contos Proibidos", que contava tudo sobre a Emaudio, e ter a sorte de esse mesmo livro, depois de esgotado, jamais voltar a ser publicado.
A lucidez que lhe permitiu passar incólume as "ligações perigosas" com Angola , ligações essas que quase lhe roubaram o filho no célebre acidente de avião na Jamba (avião esse carregado de diamantes, no dizer do Ministro da Comunicação Social de Angola).
A lucidez que lhe permitiu, durante a sua passagem por Belém, visitar 57 países ("record" absoluto para a Espanha - 24 vezes - e França - 21), num total equivalente a 22 voltas ao mundo (mais de 992 mil quilómetros).
A lucidez que lhe permitiu visitar as Seychelles , esse território de grande importância estratégica para Portugal.
A lucidez que lhe permitiu, no final destas viagens, levar para a Casa-Museu João Soares uma grande parte dos valiosos presentes oferecidos oficialmente ao Presidente da República Portuguesa.
A lucidez que lhe permitiu guardar esses presentes numa caixa-forte blindada daquela Casa, em vez de os guardar no Museu da Presidência da Republica.
A lucidez que lhe permite, ainda hoje, ter 24 horas por dia de vigilância paga pelo Estado nas suas casas de Nafarros, Vau e Campo Grande.
A lucidez que lhe permitiu, abandonada a Presidência da Republica, constituir a Fundação Mário Soares. Uma fundação de Direito privado, que, vivendo à custa de subsídios do Estado, tem apenas como única função visível: ser depósito de documentos valiosos de Mário Soares. Os mesmos que, se são valiosos, deviam estar na Torre do Tombo.
A lucidez que lhe permitiu construir o edifício-sede da Fundação violando o PDM de Lisboa, segundo um relatório do IGAT, que decretou a nulidade da licença de obras.
A lucidez que lhe permitiu conseguir que o processo das velhas construções que ali existiam e que se encontrava no Arquivo Municipal fosse requisitado pelo filho e que acabasse por desaparecer convenientemente num incêndio dos Paços do Concelho.
A lucidez que lhe permitiu receber do Estado, ao longo dos últimos anos, donativos e subsídios superiores a um milhão de contos.
A lucidez que lhe permitiu receber, entre os vários subsídios, um de quinhentos mil contos, do Governo Guterres, para a criação de um auditório, uma biblioteca e um arquivo num edifico cedido pela Câmara de Lisboa.
A lucidez que lhe permitiu receber, entre 1995 e 2005, uma subvenção anual da Câmara Municipal de Lisboa, na qual o seu filho era Vereador e Presidente.
A lucidez que lhe permitiu que o Estado lhe arrendasse e lhe pagasse um gabinete, a que tinha direito como ex-presidente da República, na... Fundação Mário Soares.
A lucidez que lhe permite que, ainda hoje, a Fundação Mário Soares receba quase 4 mil euros mensais da Câmara Municipal de Leiria.
A lucidez que lhe permitiu fazer obras no Colégio Moderno, propriedade da família, sem licença municipal, numa altura em que o Presidente era... João Soares (seu filho).
A lucidez que lhe permitiu silenciar, através de pressões sobre o director do "Público", José Manuel Fernandes, a investigação jornalística que José António Cerejo começara a publicar sobre o tema.
A lucidez que lhe permitiu candidatar-se a Presidente do Parlamento Europeu e chamar dona de casa, durante a campanha, à vencedora Nicole Fontaine.
A lucidez que lhe permitiu considerar José Sócrates "o pior do guterrismo" e ignorar hoje em dia tal frase como se nada fosse.
A lucidez que lhe permitiu passar por cima de um amigo, Manuel Alegre, para concorrer às eleições presidenciais uma última vez.
A lucidez que lhe permitiu, então, fazer mais um frete ao Partido Socialista.
A lucidez que lhe permitiu ler os artigos "O Polvo" de Joaquim Vieira na "Grande Reportagem", baseados no livro de Rui Mateus, e assistir, logo a seguir, ao despedimento do jornalista e ao fim da revista.
A lucidez que lhe permitiu passar incólume depois de apelar ao voto no filho, em pleno dia de eleições, nas últimas Autárquicas.
No final de uma vida de lucidez, o que resta a Mário Soares? Resta um punhado de momentos em que a lucidez vem e vai. Vem e vai. Vem e vai.
Vai... e não volta mais.

24 abril 2012

E assim acontece.

Não, não concordava com as suas ideologias, no entanto, era um homem de convicções, um grande intelectual e um lutador imparável. Foi preso aos 15 anos e não foi por bater nos professores. Foi, isso sim, por combater a ditadura. 
Portugal perde um grande pensador que passava dos pensamentos às palavras e das palavras às acções. E assim acontece.

24 novembro 2011

Greve geral

As greves deveriam ser realizadas com a presença do trabalhador no local de trabalho. Durante esse período os representantes sindicais (que por lei têm direito a um x número de dias ou horas por mês para se ausentarem em nome dos sindicatos que representam) realizariam plenários ou reuniões de esclarecimento sobre leis laborais, regalias socias, obrigações e deveres, novas formas de luta, enfim, educar e até formar os trabalhadores. Não deveria ser esse também o papel dos sindicatos?

03 novembro 2011

Com ou sem referendo

Grécia diz que só tem dinheiro até 15 de Dezembro. Olha, os portugueses nem isso.

19 outubro 2011

O Javardolas

Javardolas (nome fictício) já não sabia o que fazer. Desde 1418 que, na sua ânsia de manter o poder, Javardolas passava por cima de tudo e de todos. Até da D.ª Garça e da D.ª Puquéria. Longe vão os tempos em que Javardolas comia 28 costeletas de novilho acompanhadas por 450 copos de cidra sem que os fornecedores se chateassem com ele. Javardolas é repelentemente gordo. No entanto, ele tem que acabar o trabalho antes de Outubro. Não se lembra de nada do que aconteceu para estar ali. Foi algo assombroso, algo de terrível! Seria sua, a culpa? Graças a Deus que não.

- É isso mesmo o que eu vou fazer. Vou tomar uma atitude! Vou mostrar ao mundo que não sou nenhum covarde. Quero a minha independência.

Assim, Javardolas começou a brincar com as banhas ondulantes abundantemente espalhadas por todo o corpo enquanto contava quantos azulejos cor-de-rosa com colibris a debicar de uma flor compõem a sua casa de banho. Já ninguém sabe ao certo o que realmente fazer. Eu, por mim, gosto de Nestum com Mel. Sempre foi, e há-de ser, o melhor.

Entretanto, Javardolas fazia a lista da roupa suja que escondera durante séculos. Tenho pena da D.ª Carla e de todos os seus filhotes que a costumam ajudar a lavar e passar a ferro a roupa do Sr. Javardolas. As cuecas são o pior. Vêm quase sempre rijas na parte dianteira. Porque será? Serão restos de muco que, em êxtase por conseguir comer sem pagar, foram projectados para a referida superfície e se foram acumulando? Talvez.

Após a invasão dos Aliados, Javardolas começou a ficar com o cabelo seco e eriçado. Mas quase ninguém aproveitou este ponto fraco de Javardolas porque toda gente quis ir de férias. E, desta forma, chegou ao fim o Natal. Foi comer até não poder mais. Mas, se o Sr. Javardolas comeu muito, também há-de cagar muito. Uma vida inteira a comer, uma vida inteira a cagar. E quem vai limpar a merda toda? Adivinharam. A D.ª Carla e os seus pequenos filhotes.

18 outubro 2011

A D.ª Adelaide

A Mamã do Primeiro-Ministro.

A mamã Adelaide e a misteriosa pensão superior a 3000 euros

Divorciada nos anos 60 de Fernando Pinto de Sousa, "viveu modestamente em Cascais como empregada doméstica, tricotando botinhas e cachecóis...".(24 H)

Admitamos que, na sequência do divórcio ficou com o chalet (r/c e 1º andar) .

Admitamos ainda, que em 1998, altura em que comprou o apartamento na Rua Braamcamp, o fez com o produto da venda da vivenda referida, feita nesse mesmo ano.

Neste mesmo ano, declarou às Finanças um rendimento anual inferior a 250 €.(CM), o que pressupõe não ter qualquer pensão de valor superior, nem da Segurança Social nem da CGA.

Entretanto morre o pai (Júlio Araújo Monteiro) que lhe deixa "uma pequena fortuna, de cujos rendimentos em parte vive hoje" (24H).

Por que neste momento, aufere do Instituto Financeiro da Segurança Social (organismo público que faz a gestão do orçamento da Segurança Social) uma pensão superior a 3.000 € (CM), seria lícito deduzir - caso não tivesse tido outro emprego a partir dos 65 anos - que , considerando a idade normal para a pensão de 65 anos, a mesma lhe teria sido concedida em 1996 (1931+ 65). Só que, por que em 1998 a dita pensão não consta dos seus rendimentos, forçoso será considerar que a partir desse mesmo ano, 1998 desempenhou um lugar que lhe acabou por garantir uma pensão de (vamos por baixo): 3.000 €.

Abstraindo a aplicação da esdrúxula forma de cálculo actual, a pensão teria sido calculada sobre os 10 melhores anos de 15 anos de contribuições, com um valor de 2% /ano e uma taxa global de pensão de 80%.

Por que a "pequena fortuna " não conta para a pensão; por que o I.F.S.S. não funciona como entidade bancária que, paga dividendos face a investimentos ali feitos (depósitos); por que em 1998 o seu rendimento foi de 250 €; para poder usufruir em 2008 uma pensão de 3.000 €, será por que (ainda que considerando que já descontava para a Segurança Social como empregada doméstica e perfez os 15 anos para poder ter direito a pensão), durante o período (pós 1998), nos ditos melhores 10 anos, a remuneração mensal foi tal, que deu uma média de 3.750 €/mês para efeitos do cálculo da pensão final. (3.750 x 80% = 3.000).

Ora, como uma pensão de 3.000 €, não se identifica com os "rendimentos " provenientes da pequena fortuna do pai, a senhora tem uma pensão acrescida de outros rendimentos.

Como em nenhum dos jornais se fala em habilitações que a senhora tenha adquirido, que lhe permitisse ultrapassar o tal serviço doméstico remunerado, parece poder depreender-se que as habilitações que tinha nos anos 60 eram as mesmas que tinha quando ocupou o tal lugar que lhe rendeu os ditos 3.750 €/mês.

Pode-se saber qual foram as funções desempenhadas que lhe permitiram poder receber tal pensão?

E há mais...

A Dona Adelaide comprou um apartamento na Rua Braamcamp, em Lisboa, a uma sociedade off-shore com sede nas Ilhas Virgens Britânicas, apurou o Correio da Manhã. Em Novembro de 1998, nove meses depois de José Sócrates se ter mudado para o terceiro andar do prédio Heron Castilho, a mãe do primeiro-ministro adquiria o quarto piso, letra E, com um valor tributável de 44 923 000 escudos - cerca de 224 mil euros -, sem recurso a qualquer empréstimo bancário e auferindo um rendimento anual declarado nas Finanças que foi inferior a 250 euros (50 contos).
Ora vejam lá como a senhora deve ter sido poupadinha durante toda a vida.
Com um rendimento anual de 50 contos, que nem dá para comprar um mínimo de alimentação mensal, ainda conseguiu juntar 224.000 euros para comprar um apartamento de luxo, não em Oeiras ou Almada, na Picheleira ou no Bairro Santos, mas no fabuloso edifício Heron, no nº40, da rua Braamcamp, a escassos metros do Marquês de Pombal e numa das mais nobres e caras zonas de Lisboa.
Notável exemplo de vida espartana que permitiu juntar uns dinheiritos largos para comprar casa no inverno da velhice.
Vocês lembram-se daquela ideia genial do Teixeira dos Santos, que queria que pagássemos imposto se déssemos 500 euros aos filhos ?
Quem terá ajudado, com algum cacau, para que uma cidadã, que declarou às Finanças um RENDIMENTO ANUAL de 50 contos, pudesse pagar A PRONTO, a uma sociedade OFF-SHORE, os tais 224.000 euros ?


09 outubro 2011

Viva o Bloco de Esquerda

Dos 9 partidos que concorreram às eleições na Madeira, apenas o Bloco de Esquerda não elegeu qualquer deputado. Mais uma derrota para o burguês Louçã.

10 junho 2011

Cavaco condecora Manuela Ferreira Leite no Dia de Portugal


Cavaco condecora Manuela Ferreira Leite no Dia de Portugal


Cavaco Silva vai condecorar no Dia de Portugal a antiga ministra das finanças e antiga líder do PSD Manuela Ferreira Leite com Grã-Cruz da Ordem de Cristo.
Ferreira leite vai receber a Grã-Cruz da Ordem de CristoFerreira leite vai receber a Grã-Cruz da Ordem de Cristo
A Presidência da República divulgou esta terça-feira a lista das condecorações a serem atribuídas na cerimónia oficial das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, que este ano tem lugar em Castelo Branco, no dia 10 de Junho.

25 abril 2011

Finalmente!

Finalmente chegou o dia 25 de Abril não comemorado na Assembleia da República.
Estou a brincar.
É com o coração desfeito que assisto a este triste espectáculo. Ao que isto chegou.
Vasco Lourenço, esse grande democrata, afirmou ontem "Não é exactamente a mesma coisa que a cerimónia no Parlamento mas é positivo que aconteça."
Eu também acho muito importante que aconteça, aliás, se não acontecesse o dia 25 de Abril hoje seria 26.
A todos, como eu, que acreditamos na revolução dos cravos, deixo aqui um vídeo bem bonito.
25 de Abril sempre!

21 abril 2011

Dedicado a todos os meus amigos de esquerda.

Entrevista ao Jornal de Negócios

Otelo: “Precisávamos de um homem com a inteligência do Salazar”


Otelo Saraiva de Carvalho afirma que o país precisava hoje de um homem com a inteligência e a honestidade de Salazar. Em entrevista ao Jornal de Negócios o capitão de Abril afirma, recusando a ideologia fascista do ditador, que não há políticos hoje com um perfil assim.

“Falta-nos quem saiba orientar o povo com honestidade, generosidade, com espírito de missão. Salazar foi uma pena, porque era um crânio em economia e finanças, podia ter feito maravilhas pelo povo, mas era um tipo de miopia política. Precisávamos de um homem com a inteligência e a honestidade do ponto de vista do Salazar, mas que não tivesse a perspectiva que impôs, de um fascismo à italiana. Isso é que não”, defende Otelo Saraiva de Carvalho, em conversa com o Jornal de Negócios no âmbito do seu mais recente livro “O dia inicial”, em que descreve hora a hora o que se passou no dia 25 de Abril de 1974.

Otelo diz ainda que a “utopia” concretizada que foi o 25 de Abril não seria hoje possível com Forças Armadas maioritariamente voluntárias, “que não estão disponíveis para entrar numa oposição ao Governo que lhes paga”. Se o dinheiro não chegar, diz Otelo, “aí podem acontecer coisas graves”.

E acusa o PCP de ter estado por trás da sua detenção em 1984 e de ter feito com que ficasse em prisão preventiva cinco anos no âmbito do caso FP 25. Acusa ainda alguns nomes então na Polícia Judiciária, como a actual directora do Departamento Central de Investigação e Acção Penal, Cândida Almeida , então na PJ, de, devido à militância no PCP, tere estado por trás da sua detenção.

13 junho 2010

Devia ter morrido a 1o de Novembro de 1913


Álvaro Barreirinhas Cunhal (Coimbra, 10 de Novembro de 1913 — Lisboa, 13 de Junho de 2005) foi um político e escritor português, conhecido por ser um dos mais importantes resistentes ao Estado Novo, e ter dedicado a vida ao seu ideal comunista.
Regressou a Portugal cinco dias depois do 25 de Abril de 1974, OU SEJA, NÃO ESTAVA CÁ.