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07 fevereiro 2012

Vitaminas

Opto por manter o anonimato das caricatas personagens desta história. A ele vou-lhe chamar P. Alexandre. A ela D. Alice.
Não era de animo leve que P. Alexandre se via naquela constrangedora situação. De um lado, uma médica do centro de saúde. Do outro, D. Alice.
- Sr.ª doutora, receite aí umas vitaminas para o P. Alexandre, disse D. Alice.
Era demais. Afinal ele já não era um rapazola, mas um chefe de família.
- Não preciso. Eu vim à consulta porque…
- Claro que precisas, não acha Sr.ª doutora? Olhe para a cor dele, tão amarelo! Era um menino com uma tez tão sã e agora é isto. Receite-lhe qualquer coisa para ver se ele melhora.
- Vitaminas?!
- P. Alexandre! Ouve o que eu te digo. Não ligue Sr.ª doutora. Sabe, ele pensa que já sabe tudo, mas olhe para ele. Estas roupas. Porquê que ele se veste assim? Porquê?
- Mas …
- Sim, porque ele era um menino tão engraçado. E vestia-se tão bem. Mas lá pelos 20 meteu na cabeça que já podia decidir o que vestir,… e começou a beber sumos com borbulhas… o que ache que é melhor ele tomar, Sr.ª Doutora, umas vitaminas daquelas às cores ou umas ampolas?
P. Alexandre ainda tentou contestar, mas o ombro cedeu. (excesso de cálcio, veio-se a apurar em exames complementares).
Saiu do consultório embuchado, mas podia ter saído com uma dose de óleo de fígado de bacalhau.
As melhoras.

16 março 2010

Até o meu caralho é maior que ele!


Tinha 21 anos e 74 centímetros.
O homem mais pequeno do mundo, He Pingping, morreu aos 21 anos de idade no passado sábado em Roma, Itália, devido aos problemas cardíacos que advinham do seu caso raro de nanismo.O director do Guinness World Records, Craig Glenday, anunciou na passada segunda-feira a morte do homem de nacionalidade chinesa que media pouco mais de 74 centímetros. Nas suas declarações, Craig Glendey não quis deixar de frisar que He era “uma fonte de inspiração para todas as pessoas consideradas diferentes ou raras”.He encontrava-se em Roma para gravar um anúncio publicitário com outras caras conhecidas pertencentes à organização quando as dores fortes no peito o levaram ao hospital, tendo acabado por falecer devido a complicações cardíacas.

21 fevereiro 2010

Tragédia na Madeira






Apesar da tragédia corrida na Madeira, nem tudo são más notícias. Vejamos:







O centro do Funchal tem agora uma nova aparência. Para aqueles que se queixavam que o Governo Regional não fazia obras, não está nada mal. Infelizmente, a TMN continua a meter água.










Parece mesmo a Ponte dos Suspiros em Veneza.














Bela peidola... Já comi pior e a pagar.








04 fevereiro 2010

Rir é tão bom... e ouvi dizer que faz bem à saúde.

Um desempregado compareceu no Centro de Emprego, em Lisboa, para ver se havia alguma coisa para ele.

Ao chegar, viu um cartaz que dizia 'Precisa-se de assistente de ginecologista'. Foi ao balcão e perguntou:

- Pode dar-me mais informações sobre este trabalho?

E o funcionário respondeu:

- Com certeza. O trabalho consiste em preparar as pacientes para o exame. Você deve ajudá-las a despir-se e lavar cuidadosamente as suas partes genitais. Depois faz a depilação dos pêlos púbicos com creme de barbear e uma gilete novinha. A seguir esfrega gentilmente óleo de amêndoas doces, para que já estejam prontas para ser observadas pelo ginecologista.

O salário mensal é de 3.500 Euros. Mas o senhor tem de ir é até ao Carregado.

- São mais ou menos 40 km de Lisboa!

- É lá o local de emprego?

- Não, é lá que está o fim da fila.

07 novembro 2009

Agora escolha (homenagem à Vera Roquette)


Hipótese A
Sr Joaquim: Veja lá, bebi 3 ou 4 copitos de vinho e agora dizem que estou bêbado. Mas o que são 3 ou 4 copos de tinto? hum?
Castro Malin: ...
Sr Joaquim: E agora não me deixam conduzir. Eu estou bem. não acha?
Castro Malin: ... (já está, cabrão do íman)
Sr Joaquim: Só se foi da gasosa que bebi ao almoço. Toda a gente sabe que a gasosa fermenta. Vou deixar de beber gasosa.
Castro Malin: Pois. A gasosa é tramada.
..
Hipótese D
Sr Joaquim: Veja lá, bebi 3 ou 4 copitos de vinho e agora dizem que estou bêbado. Mas o que são 3 ou 4 copos de tinto? hum?
Castro Malin: Como diz o outro, quem não sabe beber bebe merda.
Sr Joaquim: Mas a gasosa...
Castro Malin: A gasosa o quaralho. Bêbado.
.
Hipótese E
Sr Joaquim: Veja lá, bebi 3 ou 4 copitos de vinho e agora dizem que estou bêbado. Mas o que são 3 ou 4 copos de tinto? hum?
Castro Malin: Não ligue. são uns ressabiados. Vamos é buber a abaladiça para não ir côxo.

18 outubro 2009

40 ampolas...

... são muitas ampolas. São mesmo muitas ampolas. E obrigatoriamente implica algumas mudanças. Por exemplo, já não é necessário abater umas casal garcia para se ficar atravessado. Consegue-se o mesmo efeito com a adição de um belo tinto (ou mais), um quarto de uma dúzia de uns beirões e umas imperiais do tempo dos LP's. Melhor sorte para quem vai tentar alcançar mais logo o cinturão negro 3º dan em yoga (iôga ?) e também para quem apanhou a famosa H1N1. Tivessem ouvido o conselho do Zé Preto e não haveriam estirpes fatelas para ninguém, porque uma casa afamada é outra loiça. Só me resta terminar com o famoso ditado, tudo como dantes, quartel general em Abrantes.

05 maio 2009

olá amiguinhos

Era com estas cínicas palavras que Vasco Granja começava o único programa para a criançada que a rtp emitia em finais dos idos de 70. E digo cínicas pois a emissão abria às 18:00 e depois da mensagem da sempre afável locutora de continuidade (irra) lá aparecia o cinema de animação apresentado pelo dito cujo.
Mas o gajo em vez de se limitar a apresentar os desenhos animados dava uma longa lição acerca do que 'melhor' se fazia em animação em Zagreb, em Bratislava e até mesmo em Potsdam, e toca de discursar sobre desenhos animados com técnicas ousadas como plasticina e latas de atum acompanhados por música minimalista. Mas como tinham ganho um prémio qualquer no Škola Animiranog Filma Čakovec e a rtp levava a sério a sua função educacional lá tínhamos que gramar aquilo.
De vez em quando o Vasco Granja distraía-se e lá passava um Tex Avery, um Gato Félix ou mesmo um filme da Looney Tunes, honra lhe seja feita.
Parece que o sr Vasco Granja morreu a noite passada. Quem procurar nos jornais de hoje só lê loas ao grande espírito inovador que ele foi.
Puta que o pariu.
Ainda anda por aí muita gentinha como o Eládio Clímaco, a Maria Elisa e o Sousa Veloso que quando quinarem também passarão a ser grandes vultos da cultura portuguesa. Mas se deus quiser, cá estarei para dizer de minha justiça.
A rtp apagou a maioria dos mais de 1000 cinema de animação que o Vasco apresentou.
Assim deixo aqui uma sátira muito real, em que o próprio participou uns anos depois, para os mais esquecidos dizerem de sua justiça.
Como ele dizia, "e chegou finalmente o momento para vos mostrar o filme..."

10 março 2009

A Internet, o IRS e a Luisa

Hoje vou falar de bichas. Ou melhor, de filas. Isto porque começa hoje a entrega do IRS pela internet, ou seja, acabaram-se as bichas (filas) nas repartições de finanças. E é pena pois nessas bichas (filas) faziam-se grandes amizades, ou talvez não. Os diálogos que a seguir transcrevo aconteceram (na minha cabeça) enquanto uma bicha esperava na bicha (fila) pela sua vez.
Bicha: Ó queridos, onde é que tiro a senha para entregar o IRS, categoria A?
Pessoal na bicha (fila): Opá… o que é esta merda?
Bicha: Que foi, estão surdos? Então, é a senha verde ou a amarela?
Bicha (fila): Olha cá para mim é a senha rosa ó “Luisa”.
Bicha: Querem ver que vamos ter peixeirada?
Bicha (fila): Claro que o que tu queres é peixeirada. E se possível que seja sarda… (lol)

LOL é quando as pessoas se riem. Na altura isto não se usava mas como esta história é minha eu posso escrever o que quiser.

Bicha (fila): Olha lá amor, vais entregar o anexo H?
Bicha: O que é isso meu querido?
Outra pessoa na bicha (fila): Olha, H para ti deve ser de Homo… (lol geral).
Bicha: Não sei se me chateio ou se rio. Vocês são todos tão brincalhões… e grandes! E africanos. E estão a suar.
Um gajo que se não é bicha para lá caminha: Olha lá, vives sozinho ou em união de facto?
Bicha (já com o ânus aos saltos): Olha querido, para já estou solteiro mas sempre aberto a novas relações.
Marinheiro de 1,89m que se encontrava na bicha (fila) e que presta serviço no submarino Barracuda e já não pratica sexo há quase 2 semanas: Se te queres abrir eu posso tratar disso. É só disparar aqui o meu torpedo… (lol geral e que se espalhou pela farmácia que fica ao lado da repartição de finanças).
Bicha (já com o pingo na ponta do pénis): És tão bruto…
O outro gajo que se não é bicha para lá caminha: Olha lá minha vaca, já te estás a fazer a outro, é?
Bicha: Desculpa amor, mas tenho uma fixação por fardas. Olha a tua, por exemplo. É de quê?
O outro gajo que se não é bicha para lá caminha: Técnico de Higiene Urbana.
Bicha: Áh! Daí o cheiro a esgoto. Por isso é que estou toda maluca... Olha vamos até minha casa.
Mais um lol mas que desta vez já chega ao Pingo Doce e olhem que a referida superficie comercial fica quase a 500 mts. do local onde esta cena se desenrola.
Bicha (fila): Então e a senha, ó sua maluca?
Bicha: Olhem queridos, que se lixe. Depois pago a coima. Vou mas é para casa ser "varrida" por este garanhão grande, africano e que cheira a suor e esgoto!
E pronto, foi todo este tipo de situações que deixámos de presenciar devido à entrega do IRS pela internet. Agora para assistir a este tipo de situações só aqui, no Dipsomaníaco.blogspot.com, de Segunda a Domingo das 00:00H às 24:00H (inclui feriados religiosos).

09 março 2009

A "inocente" Jucineide

As personagens desta história são verdadeiras, excepto no início, no meio e no fim onde são reais.

A pequena Jucineide, que já ia na avançada idade de 9 anos, estava no seu quarto a brincar com o Ken quando de repente se lembrou:
- Opá, apetece-me tanto ser violada e se possível pelo meu padrasto, já que o meu irmão foi preso por vender droga na favela.
E assim Jucineide foi à sala onde o seu padrasto estava a bater uma sarapitola enquanto via o Clube Amigos Disney e disse:
- Querido padrasto, importaste de parar de bater essa sarapitola para me violar e se possível engravidar-me de gémeos?
- Claro querida enteada, é para já. Ainda por cima estás mesmo no limite pois já tens 9 anos, 1,33m e 36kg. E para cotas já me basta a tua irmã que tem 14.
Depois de fazer o chamado “amor forçado” o padrasto da pequena Jucineide foi até à igreja para visitar o coro da mesma. No caminho parou numa livraria onde leu, durante algum tempo, um livro de Woody Allen onde o tema abordado era “Como apimentar uma relação entre um reformado e uma aluna do jardim infantil”. Na minha opinião deverá ser com pimenta e cebola picada aos bocadinhos, mas à mão claro pois as picadoras eléctricas muitas vezes esmagam em vez de picar. Enquanto isto, a pequena Jucineide foi à Casa de Saúde São José pois cheirava a leite e não sabia se tinha sido do pequeno-almoço ou se esse cheiro tinha como origem o facto de ter deixado de mamar há relativamente poucos anos.
Na casa de saúde, os diabólicos médicos que a assistiram disseram-lhe que estava grávida e que teriam de lhe fazer uma IVG (esta é a forma Diógenes de dizer aborto).
E assim foi, os carniceiros dos médicos assassinaram aquelas duas almas cheias de saúde e que iriam ser amadas pela pequena Jucineide e pelo seu maravilhoso padrasto.
Quando o José Cardoso Sobrinho soube desta tragédia (o assassinato destes dois seres e não a violação, claro!) excomungou os médicos envolvidos em tão bárbaro acto.
- “A lei de Deus está acima de qualquer lei humana. Então, quando uma lei humana, quer dizer, uma lei promulgada pelos legisladores humanos, é contrária à lei de Deus, essa lei humana não tem nenhum valor”, disse o bispo enquanto lia uma revista de entretenimento gay (para adultos, claro, nada de pedofilia na igreja, graças a deus),
Dito isto, ordenou que se pegasse fogo à bruxa de 9 anos. Assim, mandou destruir duas barracas lá da favela para que houvesse lenha para a dita fogueira e mandou “desviar” gasolina de um carro que estava estacionado ali perto (era de um senhor muito importante que tem várias meninas a “alugar” o corpo a quem pagar melhor. Este senhor é importante pois pagou as obras do altar mor).
Nessa noite o churrasco decorreu até amanhecer.
Então e o padrasto, perguntam vocês?
O padrasto foi abençoado pela igreja pois, conforme diz a bíblia, “Amai-vos e reproduzi-vos” e, neste caso, ele até deve ser duplamente louvado pois fez logo gémeos.
Como presente o padrasto confessou que também abusava da enteada mais velha, de 14 anos, portadora de deficiência física.
Temos homem!

02 março 2009

No norte é que se come bem


A cena passa-se à porta de um restaurante. Após o almoço.
O gajo sai para fumar. Aparece uma sra, supostamente vinda do restaurante, que o gajo nunca tinha visto mais gorda.
sra: Vocês não são de cá, pois não?
gajo: ...
sra: são do Sul?
gajo: de *****, perto de Lisboa
sra: Pois, do sul. Eu vi logo pela vossa maneira de falar. Não se percebe nada, o vosso sotaque.
gajo: ...?
sra:Falam alto e parece que estão a cantar.
gajo: deve ser do vinho
sra.Sabe, o meu marido também é de lá. Do Barreiro.
gajo: ah...
sra: estamos casados à mais de 40 anos. Fizemos 42 agora no dia ... ele veio para a tropa, antes de ir para guerra em Angola. Fez cá a recruta e entretanto engravidei. A minha filha já tem 40 anos. Ele teve que ir para o ultramar mas casámos antes. A comida cá norte é muito melhor, e as pessoas mais simpáticas, não é como vocês lá no sul, não acha?
gajo: ...
sra: o meu cunhado, o irmão do meu marido tem uma loja de óculos em algés, tambem é lá em baixo. Conhece?
gajo: Algés?
sra: é aquela ao pé dos eléctricos, que tem uma montra de vidro ...
gajo: pois...
sra: e tem outra em linda-a-velha. É do meu cunhado, do irmão do meu marido, que é o padrinho da minha filha. Já tem 40 anos a minha filha. O meu marido no início também falava assim como vocês mas depois habituou-se. Agora já está habituado a nós e gosta. É que as pessoas daqui são mais simpáticas, não são como lá no sul ...
gajo: (...)
sra: Vieram ao futebol?
gajo: Não
sra: ah, pensei. é como este fim de semana houve jogo pensei que tivessem vindo ao futebol.
gajo: foi só passear.
sra: come-se muito bem cá no norte, não acha?
gajo: sim.
Entretanto aparece o sr da sra.
sr: Vocês não são de cá pois não? Eu também não. Sou do Barreiro. Estou cá há uma data de anos, carago. Já estou casado há mais de 40 anos...
gajo: 42?
sr: sim sim. Vim para cá fazer a recruta antes de ir para guerra no ultramar. Engravideia-a e casámo-nos. Agora já estou habituado a isto. A comida é muito boa não é ?
gajo: sim
sr: Vieram ao futebol?
gajo: Não.
sr: Ah, é que como houve jogo ...
sra: Voltem cá quando quiserem.
sr: Venham mais vezes que as pessoas são muito simpáticas
todos em coro: adeus

14 fevereiro 2009

Dia dos Namorados


Entre nós, o Dia dos Namorados celebra o amor, a paixão entre amantes e a partilha de sentimentos. Todos os anos, no dia 14 de Fevereiro, ocorre a azáfama da troca de chocolates, envio de postais e de oferta de flores. Muitos casais planeiam jantares românticos, noites especiais e fazem planos para surpreender e agradar à sua «cara-metade». Há também quem escolha este dia para se declarar à pessoa amada e também quem avance com pedidos de casamento, embebido pelo espírito do dia. Durante o governo do imperador Cláudio II, este proibiu a realização de casamentos no reino, com o objectivo de formar um grande e poderoso exército. No entanto, um bispo romano continuou a celebrar casamentos, mesmo com a proibição do imperador. O seu nome era Valentim e as cerimónias eram realizadas em segredo. A prática foi descoberta e Valentim foi preso e condenado à morte. Enquanto estava preso, muitos jovens enviavam flores e bilhetes a dizer que os jovens ainda acreditavam no amor. Entre as pessoas que enviaram mensagens ao bispo estava uma jovem cega: Assíria filha do carcereiro a qual conseguiu a permissão do pai para visitar Valentim. Os dois acabaram por se apaixonar e ela milagrosamente recuperou a visão. O bispo chegou a escrever uma carta de amor para a jovem com a seguinte assinatura: “De seu Valentim”, expressão ainda hoje utilizada. Valentim foi decapitado em 14 de Fevereiro de 270 d.c. Vai mais um copo de 3... desta vês traçado com champanhe!

06 fevereiro 2009

We'll always have Paris

Ardeu o Lido, lugar maior da cultura suburbana.

Ir ao cinema ao Lido era toda uma aventura.
Ia-se a pé, o que implicava atravessar a zona dos lelos e a ponte sob a ribeira de Carenque. Passar mais ou menos incólume possibilitava então chegar ao cinema.
A fauna do Lido era sui generis. Apesar de ainda não haver pipocas nos cinemas, havia sempre umas bombinhas de mau cheiro ou balões de água e sabe-se lá mais o quê, que eram lançados dos balcões para a plateia. Além disso havia sempre alguém conhecido na outra ponta da sala e era frequente a troca de bocas antes e durante o filme. Sem esquecer o verdadeiro ritual que era jogar a descobrir onde estava a publicidade x, no meio das dezenas de cartazes que ocupavam o ecrã antes das cortinas se abrirem.
Aquela sala era uma algazarra que só quem assistiu é que consegue ter ideia. No meio de tudo isto também se viam filmes. Vi lá a Pipi das meias altas (ui ui), a saga do Conan o bárbaro e Conan o destruidor (só faltou mesmo Conan o homem-rã), o ET, o Indiana Jones, o regresso de Jedi.

Anos depois, chegou o vídeo e começou o declínio do cinema Lido. Mas não do centro comercial em que aquilo entretanto se transformara. Era a época dourada do VHS vs Beta. Por incrível que hoje pareça, pagavam-se 10000$00 só para se ser sócio de um videoclube. E o videoclube do Lido dava cartas. Foi nesse videoclube que nunca consegui alugar o filme de culto Marathon, pois era tão cobiçado que nunca estava disponível, mas ainda não perdi a esperança de o ver.

O cinema ainda foi transformado durante muitos e bons anos na dancetaria Lido. Ultimamente restava apenas o Bar Ábacos como baluarte do são e abnegado convívio que o Lido sempre proporcionou. Felizmente o bairro de Janeiro mantém muitos bares onde é possível beber uma abaladiça a horas menos próprias, a um custo quase irrisório, atendendo à categoria do serviço disponibilizado.

Todavia, de agora em diante quem quiser voltar ao Lido terá que dizer tal como Rick disse à Ilsa: We'll always have Paris.

26 dezembro 2008

Conto de natal: o Cabeças e o elefante.


Há muito muitos anos, havia um menino que como todos os meninos era traquinas e reguila. Esse menino, chamemos-lhe o Cabeças, era dado a muitas birras – ainda tem muitas birras e ainda é um menino, mas isso fica para outra história – no fundo era um incompreendido.
O Cabeças tinha um amigo imaginário, um poderoso super-herói. Era o supergel. O supergel protegia o Cabeças das valetas da vida mas naquela noite de circo nem o supergel valeu ao Cabeças.
O menino ainda aguentou estoicamente as piadinhas dos meninos e das meninas que estavam atrás dele “ ò cabeças, baixa os cornos”, “ ò cabeças, és um menino”, ainda resistiu à saufage ligada sem poder abrir e fechar o vidro do circo continuamente, ainda conseguiu esboçar um sorriso quando viu um ex-portageiro da brisa a fazer de palhaço pobre mas quando viu a entrada do elefante tromba-rija na pista os seus receios mais profundos vieram à tona. O elefante tinha não quatro, mas sim seis patas! Eh elefante dum catano. O Cabeças começou num berreiro e num choro tal que nem o supergel foi capaz de limpar aquela nódoa da vida do menino. Tiveram que abandonar o circo a toda a pressa, para o Cabeças poder lacrimejar à vontade.
Uns tempos depois, enquanto a madrinha fazia de babysitter ao Cabeças, ela aproveitou para ir curtir com o namorado (sic). Não correu bem, o Cabeças atrás da porta chorava a plenos pulmões que até a madrinha se sentiu culpada por ter descurado o pobre Cabeças (sic). Ainda hoje não se sabe se o motivo do choro do Cabeças foi ter espreitado pela fechadura e ter reencontrado o seu amigo tromba-rija.
Este conto de Natal fica por aqui, a moral da história ainda estou para descobrir qual é, mas o certo é que o Cabeças ainda hoje tem pavor de elefantes.
Vitória, vitória …

ps: esta história não é um mito, ao contrário do mito do menino.